Como está a condição de vida das mulheres nessa quarentena?

As medidas adotadas na tentativa de conter o avanço do coronavírus modificaram o cotidiano de todas as pessoas. A maior parte da população tem tentado seguir as restrições ficando em casa, local, infelizmente, nem sempre seguro.

Esse maior tempo de convivência dentro de casa gerou preocupação das vereadoras da Câmara Municipal de São Paulo, que na CPI de Violência Contra a Mulher, estão buscando esclarecimento sobre os índices de violência doméstica durante a pandemia.

“A violência doméstica é um mal que precisa ser erradicado da nossa sociedade e estamos percebendo agora, durante nossos trabalhos na CPI, que a situação das mulheres paulistanas durante a quarentena é muito pior, já que estão sozinhas e mais vulneráveis aos ataques violentos por parte de seus maridos, companheiros, namorados”, explica a Vereadora Sandra Tadeu, presidente da CPI.

Segundo a parlamentar, os dados oficiais obtidos pela Comissão não apresentam um aumento expressivo no número de casos, mas a situação real não é exatamente assim. “O medo de contaminação pelo coronavírus tem levado muitas mulheres a não denunciarem os casos de agressão. Informações da primeira Delegacia de Defesa da Mulher, que atende as mulheres que procuram a Casa da Mulher Brasileira, localizada no  bairro do Cambuci, indicam que os casos que lá chegam estão muito mais graves, e após o atendimento das assistentes sociais e psicólogos, percebe-se que a situação pode estar ainda muito pior”, completa  Sandra Tadeu.

Para a vereadora, a violência doméstica, que não se restringe só à violência física, mas também patrimonial, moral, sexual e psicológica – e que lamentavelmente às vezes termina em feminicídio, deve ser combatida a qualquer custo por toda a sociedade o tempo todo. “Nós precisamos educar nossas crianças para que o futuro das mulheres seja melhor. Antigamente, a questão da violência contra mulher não era tratada como crime e a culpa era sempre dela, pois a sociedade era permissiva com este tipo de comportamento machista. Hoje, esse tipo de pensamento, embora ainda exista, deve ser combatido também pelos homens”.

Por isso, denuncie se você ou alguma mulher que conhece for vítima de qualquer tipo de violência, por meio do número 180 ou faça o boletim de ocorrência eletrônico. Vá a uma das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM’s). Chame a Polícia Militar pelo telefone 190. Procure uma Unidade Básica de Saúde, tem sempre um profissional preparado para ajudar e encaminhar as vítimas aos locais de atendimento, como a Casa da Mulher Brasileira, localizada no bairro do Cambuci.